MUITO CHIQUE, MUITO SURPRESA E MUUUUITO FELIZ (Lembrancas da Quarentena 12)



Como já deu pra vocês perceberem, amo viajar… Uma das viagens que mais curto é para a Austrália, para ver a Fernanda, o Chris e meus netos mas, tem um grande problema : - tenho horror a voos muito longos, tenho “aflição nas pernas” e para lá, em média são trinta horas mas…


Em maio do ano passado, nasceu meu quarto neto, o Kai e eu claro, fui para lá. Só que desta vez, resolvi que iria em grande estilo, eu mereço!


Puxa vida, tenho mais de setenta, trabalho muito ainda, tenho uma vontade louca de curtir a vida. Procurei bastante e encontrei uma passagem para pagar em doze vezes e de primeira classe! Ebaaaaa! Demorei um ano para pagar, mas sabe de uma coisa, valeu cada centavo. Um conforto só: no avião, à noite, cama com direito a dois travesseiros, lencóis e edredon, comidas maravilhosas, bebidas e sobremesas então, afffMaria… alguém como eu que nunca tinha tido essas mordomias, adorei né?! e o melhor e mais importante de tudo, o espaço para as pernas, os braços, o corpo todo livre, leve e solto… Fora os confortos oferecidos nos aeroportos durante as escalas... que delícia de viagem. Curti muuuuito!









AUCKLAND - N.ZELAND





Depois de 28 horas, chego feliz e descansada a Gold Coast, onde a Fernanda já deveria estar me esperando, toda feliz, com aquela barriguinha de nove meses. Daí, começou minha surpresinha… De repente, uma policial do aeroporto, muito gentilmente me convida a acompanhá-la a uma sala e começa a me fazer um monte de perguntas. Gente, o meu inglês, eu aprendi lá longe, nos anos 60, na escola, nem lembrava muito e foi difícil manter um diálogo com a policial. Eu entendia mais ou menos o que ela falava (o inglês da Austrália é muito diferente do que a gente ouve por aí) mais não sabia bem o que ela queria comigo. Santa ingenuidade... eu estava “naquela salinha” onde se revista bagagem suspeita, que a gente vê nos programas de tv…


Como eu não tinha o que temer e nem desconfiava do que se tratava, me mantive super calma e participativa, enquanto ela tirava tudo da minha mala… foi aí que me toquei que era uma verificação para drogas na minha bagagem. Bem, para encurtar a história, sabe o que o RX mostrou? dois pacotinhos cheios de bolinhas que pareciam pílulas de “alguma coisa “ orgânica... Sabe que coisa era essa??!! Dois pacotinhos de feijão processado, sabe aquele que vem, já cosido, na embalagem amarela nos supermercados?! A Fernanda me pediu para levar, pois estava com vontade e a família me garantiu que comida processada podia passar na federal sem problemas. Eu não sabia que tinha que anotar na fichinha de desembarque que levava comida na bagagem, daí o mal entendido, mas terminou tudo bem com a simpática policial. Ela se desculpou, me aconselhou a preencher corretamente a fichinha e ainda me ajudou a acomodar tudo na mala e me levou até lá fora . Quando saí, a Fernanda estava desesperada no saguão, chorando muito e assustada com a demora, achando que eu tinha tido algum problema de saúde na viagem… Deus do céu, o que a falta de informação faz com a gente né?? Tadinha da Fernanda, estava tão nervosa… pela demora e porque ela tinha que pegar o Luca na escola e já tinha passado da hora, mas no fim deu tudo certo.


O Kai demorou uns 10 dias para chegar e então passeamos bastante pela praia, fui conhecer a escola onde, se precisasse, iria buscar o Luca, brinquei muito com ele, estreitei mais os laços, afinal ser vovó de longe é muito mais difícil, mas, graças a Deus nos demos muito bem, a ponto dele aceitar que eu o colocasse na cama, contasse histórias, desse banho... e ele contou histórias para mim!!! que lindinho! A Fernanda fez uma coisa maravilhosa, sempre falou em português com as crianças então o Luca quase sempre me entende e responde em português.







Finalmente o grande dia chegou… durante a noite começou o trabalho de parto da Fe e de manhã, já estava bem adiantado. Fiquei até emocionada com a calma dela falando com o Luca que estava bem, apesar das dores e que o bebê estava chegando. Ela saiu com o Chris umas sete e dez, Luca ficou super tranquilo, vendo TV, dei café da manhã, jogamos vários joguinhos, dei almoço, enfim, para minha surpresa, a Fernanda voltou para casa as duas e pouco da tarde, andando normalmente, com o Kai no colo, como se nada de diferente tivesse acontecido.







Contou que chegou ao hospital muito afobada, pois achava que o bebê iria nascer no carro, mas deu tempo de entrar na banheira e teve parto humanizado dentro d’agua. Segundo ela foi fácil e lindo.


Nas semanas seguintes ao nascimento do Kai, aconteceram coisas que me deixaram simplesmente maravilhada com o atendimento que as mães e crianças têm na Austrália. Testes, medições, pesagens, orientações sobre amamentação, banho, são dados em casa, por enfermeiras treinadas para isso, que ligam antes e chegam com carro oficial, trazendo balança, e todo instrumental necessário, entram, dão suas orientações e vão sorridentes embora. Gente do céu, fiquei simplesmente maravilhada com as políticas públicas daquele país para para as mulheres… Quem dera aqui houvesse 10% desse cuidado.





Foram três experiências fascinantes, inusitadas que me animaram mais ainda:


1) a viajar mais para ir vê-los na Austrália,


2) prestar atenção na bagagem e


3) principalmente constatar que eu mereço ser “chique bem”...


e viva o cartão de crédito! tem prestação que vale muito a pena!!





Dorinha Sanches Sant’Anna


São Paulo, Campo Belo, Quarentena Covid19





Maio, 2020

Comentários

  1. Olá Luiz! Comigo tudo bem. Obrigado pelo convite para ver seu blog. Adorei as fotos que você postou. Vou sempre ao Rio, tenho parentes lá e reconhecer alguns lugares que estive foi muito gostoso. Você que fotografa? É uma delícia fotografar e depois ver tudo postado né..

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