Postagens

Mostrando postagens de abril, 2020

EM MADRID, DO METRÔ PARA O CARRO DA POLICIA… Que Miiiiiiiiiiiiiiiiiico!!! - (Lembrancas da Quarentena 10)

Imagem
Primeira vez em viagem internacional. Que emoção... a Renata estava morando em Madrid e eu ia visitá-la. Não queria ir sozinha e por sorte a Marlene, minha prima resolveu ir comigo. Viajar acompanhada e bem mais gostoso e seguro. Vôo tranquilo, tirando o incômodo nas pernas, claro, mas até isso ter companhia ajudou pois podia colocar as pernas sobre a mesinha vizinha, ou no colo da Marlene. Na chegada a Madrid, a passagem na federal foi rápida, graças a Deus meu espanhol quebra um bom galho. O Metrô direto do aeroporto para a Estação Príncipe Pio, que ficava a menos de uma quadra do apartamento da Renata. O único problema... ela estava na faculdade, não podia ir nos buscar no aeroporto e então iríamos de metrô, pegaríamos a chave direto com o zelador do prédio e esperaríamos confortavelmente no apartamento até a noite, quando ela chegaria do MBA. Que maravilha, metrô de dentro do aeroporto até a porta da casa da Renata… Fácil, fácil... Foi aí que uma pequena distração nos tro...

O PESADELO DE 1964 E O ANJO SALVADOR! (Lembrancas da Quarentena 9)

Imagem
Toda tensão que o isolamento que a quarentena proporciona e  agora a demissão do ministro da justiça, me leva lá para trás, a 1964, quando a minha vida de adolescente, um período tão delicado, teve uma mudança semelhante a um tsunami ou um terremoto de máxima intensidade . Eram os últimos dias do mês  de março, tarde da noite,  dois homens muito conhecidos, ligados ao governo da época, entregaram lá em casa, na rua Carneiro da Cunha,  uma mala com 5000 dólares e pediram ao meu pai para tirar a família  do país, pois as coisas iriam “ficar muito feias no Brasil”.  Meu pai, com receio de ficar com aquele dinheiro todo em casa - naquela época 5000 dólares era muito dinheiro - teve a infeliz e ingênua  ideia de pedir para um dos vizinhos guardar até o dia seguinte. Durante a noite, fizemos as malas para viajar na manhã seguinte mas, quando meu pai foi pegar a mala, constatou que o vizinho havia fugido. Ah… os dois políticos foram confortavelmente ...

EM CIMA DO TELHADO (A malha cor de Rosa) - Outubro de 1970( Lembrancas da Quarentena 8)

Imagem
Se alguém visse aqueles dois em cima do telhado, ja há mais de duas horas conversando, pensaria : - o que sera que fazem no telhado há tanto tempo!   Comecou a chover e eles nem notaram… que perigo, era terceiro andar e as telhas estavam molhadas…  Pois é, vou contar sobre o que falavam: Na véspera do meu casamento, eram dez ou onze da manhã quando acordei ouvindo a voz do Tadeu que estava conversando com meu pai na cozinha, eles eram muito amigos, as vezes ele passava lá em casa pra conversar, era muito querido por todos. Ele tinha vindo para dar um jeito na antena da TV. Na penumbra do meu quarto comecei a lembrar de como o conheci. Eu tinha uns onze ou doze anos e acho que me apaixonei por ele quando o vi, tao pequenininho, no trapézio do circo. Quando terminava o número, o circo vinha abaixo milhões de aplausos! Ele não era artista, era apenas o filho do vizinho que cedia a luz elétrica para o circo poder funcionar, em troca eles ensinavam o...

CULPA DA TELEVISAO ! (Lembrancas da Quarentena 7)

Imagem
Era 1958, eu era muito nova e tinha que fazer um ano de curso para poder prestar vestibulinho para entrar no curso ginasial do Brasilio Machado que era considerada a melhor escola publica naquela epoca, e era dificil passar no teste. Por isso fui fazer o curso preparatorio na ABF, Associacao Beneficente Feminina, lá perto da Igreja de São Judas. Nós moravamos na Carneiro da Cunha, perto da Praça da Árvore, muito longe para uma criança de 10 anos ir a pé para a escola mas, era assim que as coisas eram. O curso era da uma às cinco da tarde e quase sempre eu chegava em casa bem depois do pôr do sol, já estava escuro, mas estava acostumada. Um dia, cinco ou dez minutos depois da hora da saida, quando já estava caminhando para casa, comecou uma tempestade daquelas assustadoras, com raios e trovões, ficou tudo escuro, acabou a luz da rua, e eu fiquei completamente desorientada, perdendo o caminho de casa. Eu sempre fui corajosa, mas naquele dia estava muito desorien...

VIM BUSCAR MINHA HERANÇA - O GIBÃO (Lembrancas da Quarentena 4)

Imagem
Estava trabalhando sossegada na minha linda Sala Temática, quando entra um rapaz, alto, bem vestido, de  cara emburrada e passa a examinar cada objeto. Rodou a sala toda até que parou em frente ao gibão… aquele do choro do policial, lembra??  pois é, ficou alguns minutos parado pensando, pensando, de repente, virou-se para mim e perguntou como o gibão tinha chegado até a Belmonte Vocês sabem que adoro contar histórias, então contei a história da doação, nos minimos detalhes. Ele ouviu sem nenhuma reação, sem um sorriso sequer. Estranhei a frieza dele mas fiquei na minha. De repente ele fechou ainda mais a cara e disse: - Percebo que a senhora está muito feliz com essa doação não e mesmo, mas eu vim buscar o gibão. Ele e meu… sou o filho mais velho de fulano (não lembro mais do nome do marido da doadora) e tenho direito a ele. Eu fiquei chocada...como assim?!  ele queria levar a peça mais importante do acervo da sala!!!!!  Engoli seco e disse ...

PIMENTAO, CEBOLA, DOM CORLEONE E ILHABELA (Lembrancas da Quarentena 1)

Imagem
Dia 31 de dezembro, pousada no meio do mato em Ilhabela e uma lembrança que um cheirinho de pimentão frito com cebola me tras,  lembrancas de mais de quarenta e cinco anos atras. Sera que sonhei? Eu, gravida do Fabio, lendo ¨O Poderoso Chefao¨,sentia o cheiro e tinha muita vontade de comer as belas fritadas de pimentão com cebola, feitas pela mâe de Dom Corleone , no livro. Acordei sentindo aquele cheiro gostoso, pensei que estava sonhando ainda, mas, o cheiro continuou e eu estava acordada… Ué , de onde vem isso...Levantei, vesti uma roupa e desci para o refeitorio da pousada… o cheirinho bom aumentou. Perguntei para o irmão do dono o que era aquilo, e ele me disse que estava cozinhando para a ceia… Contei para ele sobre as lembrancas que o cheirinho me trouxeram, falei de como entro dentro das sensações que cada livro que leio me trazem, de como adoro quando isso acontece… Ele achou interessante e me prometeu que mais tarde quando aquela comida ficasse pronta, me daria...

MAIS UMA HISTORIA DO GIBAO (Lembrancas da Quarentena 4)

Imagem
Nossa biblioteca é muito usada pelos moradores de albergue, estudantes, e pessoas que vem apenas para usar o wi-fi, o banheiro, ou para beber agua e descansar um pouco do calor ou do frio da rua. Entre eles estão os policiais que trabalham no entorno, na ronda escolar. Para usar o banheiro todos passam obrigatoriamente na porta da Sala Temática, que é muito bonita e colorida e chama atenção das pessoas. Alguns entram, olham os objetos, leem um cordel ou folheam um livro exposto, geralmente conversam um pouco comigo… histórias e mais historias, isso é maravilhoso!! Uma tarde, logo após o horario do almoço, como quase todos os dias, um grupo de quatro ou cinco policiais passou na porta da sala e resolveu entrar. Um deles, parou na porta e ficou olhando, meio que estasiado para o gibão, aquele da outra história, lembra… De repente o policial da porta olhou pra mim e disse: posso vestir? eu não entendi direito o que ele queria mas ele em seguida me pediu para vestir o gib...

O PRIMEIRO ASTRONAUTA DO MUNDO ME BEIJOU! (Lembrancas da Quarentena 2)

Imagem
Gente, falta de atividade intelectual libera a cabeça da gente para divagar, pensar e lembrar coisas… Num desses momentos me lembrei do IURY GAGARIN… sim, ele mesmo, o primeiro astronauta do mundo! Da para acreditar que estive pessoalmente com ele em 1961?! eu tinha treze anos e ele, aquele fofo, me deu um abraco e um beijo afetuoso na bochecha. Ele veio ao Brasil, e como meu pai fazia parte da cupula do PCB aqui em São Paulo, foi convidado a receber o astronauta russo no aeroporto… imagina se não levou a familia junto? E la fomos nós , mamae, papai, Marines e eu, vestidas com a roupa do casamento da minha prima, todos bonitinhos esperar o Iuri… Lindo demais, olhos azuis, bochechas vermelhinhas como todo russo e muuuuito carinhoso. Depois descemos para Santos e almocamos no navio russo que estava ancorado lá… lembro da comida… rosbife, batatas, vinho rose… Gente de Deus, hoje me dou conta do acontecimento historico que vivi - estar com o primeiro astrona...

A HISTORIA DO GIBAO (Lembrancas da quarentena 3)

Imagem
A sala em que trabalho lá na Belmonte e a Tematica de Cultura Popular e tem muitas coisas legais de se ver. A sala foi sendo montada com objetos doados e cada um deles tem uma historia interessante para ser contada . Um dos itens que causam mais interesse é um gibao de couro, que chegou lá de forma muito doce. Uma senhorinha pequenininha, magrinha, chegou perto da minha mesa, até assustei pois ela veio de mansinho, quietinha e falou baixinho: S - A senhora aceita doaçoes? Eu - Sim, cada objeto que a senhora ve nesta sala, salvo os livros nas prateleiras, sao doados; S - É que meu marido faleceu, foi um homem que tocou gado durante mais de quarenta anos em cima de um cavalo, usando um gibão de couro e agora meus filhos estao brigando para ficar com ele mas, tenho certeza que qualquer um que ficar com ele, vai colocar num armario, ele vai criar bicho, ressecar e depois vai estragar. Se eu der para voce, promete cuidar bem dele? Eu - ...

AS NUVENS DE TRIGO NO ESPELHO DO MAR (Lembrancas da Quarentena 6)

Imagem
Para poder situar o ano desta minha lembrança, que com certeza tem mais de 60 anos, procurei muito no “gugo” a notícia de um navio carregado de trigo que encalhou na Praia Grande, no litoral sul, derramando toneladas de trigo no mar. Ainda não encontrei nada sobre isso, mas vou continuar procurando. Mesmo assim vou contar mais essa lembrança . Desde muito nova, talvez desde 8 ou 9 anos de idade, minhas férias eram passadas na casa do Catulo Branco e da Titina, no Suarão , litoral sul de São Paulo. Era maravilhoso, o dia inteiro na praia e noites de pescarias de siris, fortunas e manjubas que eram cozidos e fritos num fogão a lenha, em torno do qual a família ficava até de madrugada comendo e conversando. E as tardes então? ou melhor, os fins de tarde… a criançada morrendo de frio, com a boca roxa e as mãos enrugadas de tanto banho de mar, corria para cobertura de sapé e trocava o maiô molhado, por uma roupa quentinha e começava a caçada aos siris… centenas de siris...