CÁSSIA ELLER ME LEMBROU COISAS BOAS (Lembrancas da Quarentena - 17)
Depois de cinco meses exclusivamente dentro de da casa, quarentena pra mim significa, imensa saudade dos meus queridos, falta de sol, falta de abraços e beijos, falta do meu trabalho na biblioteca, dificuldade para dormir e documentários maravilhosos vistos na calada da noite, além de sobrepeso né?! Como se come na quarentena gente!!
Pois bem, noite passada, numa dessas noites de insônia, zapeando a TV, depois de ver o Bial, eis que encontro um documentário sobre Cássia Eller. Maravilhoso, adorei, terminou lá pelas três da manhã e me trouxe muitas recordações dos shows que ia com minhas crianças, tanto na USP, na Praça do Relógio, como no Sesc Interlagos, no Palco do Lago, onde eram gravados programas da TV Cultura, Bem Brasil, que era comandado pelo Wandi Doratiotto. Nossa, eram tempos muito difíceis, grana apertada, mas sempre tínhamos um jeito de nos divertir nos fins de semana. Era quase uma rotina: Acordar um pouco mais tarde, descer, pegar o “ShoppingNews”, jornal grátis que era entregue religiosamente no domingo de manhã, voltar pra cama pra ler, e daí iam chegando as crianças, e se enfiando comigo na cama para lermos nossos horóscopos. Que delícia, ficávamos os cinco amontoados na cama, com a janela aberta, por onde entrava o sol e batia generosamente sobre nós… que pena, hoje, por causa dos prédios que construíram em volta da minha casa, não chega nem um mísero raio de sol, a não ser uns quatro minutos ao meio dia, quando ele dá uma passadinha pela janela do quarto… que triste isso… minha casa está sempre gelada… o ano inteiro...
Voltando as recordações dos nossos fins de semana; quando sol saia de cima de nós, era hora de descer, tomar café e sair para encontrar a Didi para irmos aos shows. Em uns seis ou oito anos, Vimos a Cássia Eller, o Tim Maia, o Lulu Santos, Rita Lee, Paulinho da Viola, Dominguinhos com Amelinha, Engenheiros, e muitos outros que não lembro mais.
Ah!!! o Zé Trovão, o lindo Almir Sater com aquelas músicas maravilhosas da novela Pantanal… nossa eu era tão apaixonada por ele… dormia todas as noites ouvindo o CD da trilha sonora...
Depois do show, íamos almoçar no “Bar das Putas”, aquele na Consolação, de esquina, em frente aquela famosa loja de lustres… acho que ainda existe essa loja, mesmo depois de passados mais de 30 anos… Soube que esse era o apelido daquele restaurante porque desde sua inauguração ficava aberto a noite toda e era onde as “damas da noite” iam jantar depois do seu trabalho. Não era um lugar muito caro e a comida, além de farta era muito gostosa e a saladinha de repolho que vinha acompanhando era maravilhosa, nunca consegui fazer uma igual aquela.
Depois do almoço, iamos caminhar pela Paulista e esse geralmente era nosso programa de fim de semana. Isso quando não estávamos de férias em Ilhabela, na casa da Bia.( tenho histórias lindas pra contar da Bia e da Ilha), ou iamos até a represa, ou ao Sítio do Léo, ou a Feira da Benedito Calixto, só programas econômicos, pois a coisa era braba mas o lazer, graças a Deus nunca faltou pra nós.
Outra lembrança muuuuito boa é das centenas de “Pôr do Sol” que corríamos para assistir lá no Parque do Ibirapuera quase todos os dias, foi um hábito maravilhoso que até hoje todos adoramos ter.Todos nós ficamos sempre encantados com o pôr do sol… seja ele onde for, se der, estamos sempre lá pra vê-lo.
Ah… lembrei de outra coisa.. quando um cometa passou por aqui, e também um eclipse da lua, talvez há uns vinte anos, também fomos nós pro Ibirapuera com esteiras pra deitar e assistir aos espetáculos… Quando a imigração japonesa fez 100 anos, também lá fomos nós de cadeiras de praia para assistir a queima de fogos lá no no Autódromo de Interlagos… não chegamos nem até a metade do caminho pois estava tudo congestionado… o jeito foi parar no canteiro central da marginal, antes da ponte, tirar as cadeiras e assistir de lá… também valeu a pena.
Fico muito feliz quando hoje, em conversas com as minhas crianças (pra mim sempre são crianças…) , elas sempre comentam que foram infância e juventude muito boas. Apesar da dureza que foi para criá-las bem alimentadas, estudadas, vestidas, aparelho nos dentinhos bem tratados, e uma ou outra pizza de vez em quando, elas têm recordações maravilhosas e sabe de uma coisa? apesar das correrias atrás dos “prés-datados” também só tenho boas lembranças daquele tempo.
Vocês não acham que era muito mais fácil ser feliz antigamente??
Dorinha Sanches Sant’Anna
São Paulo, Campo Belo
Quarentena Covid19, Agosto, 2020
Quarentena Covid19, Agosto, 2020



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